Banana

Ando aqui às voltas, já pensei em escrever sobre a Judite, nem é bem sobre ela...sobre a dor dela. A perda de um filho. Caramba, fiquei abanada...não por ser ela, podia ser a Judite do bairro, ou de outro país qualquer...infelizmente há por aí muita mãe a passar por isso. E por todas elas, me sinto assim triste, pela sua dor. Caramba, nem quero imaginar. Pensei em falar também do facto de estar cheia de dores...mas comparado à dor acima relatada, é merda. Toma-se o comprimido. E o Isaltino? Já saiu. E com bom aspecto. Começo a pensar que as cadeias são autênticos resorts. Depois pensei em fazer um texto sobre o facto de me considerar uma salada de frutas. Sim de frutas. Em que a fruta rainha é a banana. Sim, isto na minha salada. Sou e sinto-me uma banana. Rija ao inicio e mole, muito mole para o fim, em que todos passam e apertam ao belo prazer. Hoje sinto-me assim fraca. E parva. Não sei estados de espírito. Hoje fazia a mala e ia-me embora. Ás vezes estou cansada. Ás vezes estou mesmo muito cansada. Sinto-me cheia de filhos, quando na verdade só tenho um. Uns com 70, outros com 50, outros com 37. E penso, onde errei. Ligam-me a toda a hora, para resolver tudo. De tudo. Merda. Ontem ia jurar que ficava maluca. Regresso, trabalho acumulado. Depois acresce tudo o resto. E o resto é muito. Por vezes demais. E hoje, fazia as malas e ia embora para longe, apagar tudo e começar de novo. Só levava o melhor de mim. E só. Claro que a mudança está em nós. Claro que nos cabe a nós dizer que não, e colocar todas as pessoas no seu devido lugar. Mas não consigo, ou seja nem sempre o consigo. E canso-me. Numa lufa lufa de ajudar, de perceber. De querer ser perfeito, de querer ser e estar presente. Não me sai da cabeça o que me disseram nestas férias. Não me sai. E de facto caramba, as pessoas de fora vêem-me melhor que eu própria. Ou eu não quero ver. Eu que nunca pensei em mudar. Hoje, mais que nunca, penso. Sinto o que não devo. O que devo não sinto. Deve ser do tempo. Isto é tudo culpa de não haver bom tempo. Alguém tem de ter culpa! Certo?! Certo. Obrigada. A vida não é o que queremos, a vida não é o que idealizamos...eu sei eu sei...mas podia ser...ou não? Sei que não me devia queixar, também tenho coisas boas, muito boas. Rodeada de pessoas que me são muito, e que me fazem feliz e de certo modo me carregam baterias. Mas às vezes, há dias que parece não dar mais. Mas o amanhã é sempre um dia melhor.
Já vos disse que sou uma apaixonada pelo Lenny? A sério! Há ali qualquer coisa...Um Lenny para a mesa do canto, sff!

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