Ponto estrada
Não é fácil chegar ao ponto estrada. É chato. Dá trabalho. Imenso tempo a cozinhar. Mas por vezes chega-se lá. E cheguei. E activei o meu modo dont give a shit! Tenho um feitio de merda. Não é novidade aqui, nem para as pessoas à minha volta. Há quem diga que sou fria, que não sei dosear as coisas. Tudo ou nada. Não sei, talvez seja. Cada um tem a sua ideia de mim...eu acho que é um feitio muito meu, de merda. Porque não gosto dele, mas não o consigo evitar. Sinto dentro de mim. E eu só faço o que sinto. Penso muito pouco, sou muito mais emotiva, porque a mim faz-me sentido ser assim. Eu sou assim. Vivo para sentir, sinto digo, sinto faço. Seja rir, seja chorar. Seja procurar, seja falar. Seja andar 300 km, para dizer olá. Seja acordar ao meio da noite, para ouvir alguém. Seja estar num aniversário e me pedirem para sair porque precisam de algo. Seja para o que for, sem por vezes ter lógica ou razão. Faço. O perigo está no quando não sinto. Não me incomoda. Não mexe comigo. Quando penso, já chega. E aí, não faço nada. Sou inerte. Corto. Doa pouco ou muito. Corto. Dói porque gosto da pessoa. Mas o que sinto por ela, já não me vale a pena. E corto à séria. Posso arrepender-me, por vezes sim, outras não. A média é de 5-10 anos para perceber isso. Mas tenho de ser sempre honesta comigo própria. Sempre. É comigo que eu vivo. E se tudo me parece valer a pena, se passo dois anos a dar provas de amizade, como o sonic a comer argolas....é normal que me canse. Porque a minha definição de amizade não é isso. Ou se é ou não é...já te tinha dito. Mas eu entrei no jogo porque quis e comi todas as argolas que pude. E mesmo assim, nunca senti que foi o suficiente. E sabes porque? Porque não se pode ser amigo de quem não quer ser nosso amigo. Só eu a querer não chega. Disse-te isto vezes sem conta. Falámos muito. E nada passou disso. Falhaste-me no outro dia. Tive de te dizer. Magoaste-me. Tive de te dizer. E tu, sabendo isso e como não querias ter essa falha em ti, fizeste o que mais abomino. Desculpar-te comigo. Eu falho meu amor, muito. Aliás mais que a maioria. Sou distraída. Já fui uma das pessoas que deu mais, já fui uma das pessoas que deu menos ou nada. Mas aprendi que há sempre, entre amigos claro, oportunidade para dar, dar de nós. Sempre. Um abraço, um telefonema. Basta não estar à espera do outro. Ou não ser hipócrita. Desculpa, a dinâmica do só dou se me derem, não funciona comigo. Essa merda não funciona entre amigos....que se o são dão, porque sabem que há sempre retribuição. Sempre. Pode não ser no timing certo, mas dão. E se não dão pega no telefone e faz a tua parte. É fácil. E depois de eu engolir algumas coisas, porque achei que não te devia dizer devido à consideração do momento em si, pensei...e pensei muito. E pensar muito, quer dizer que não sinto. Não te sinto. Não me incomoda de não falar contigo. Fiquei magoada sim. Mas não sentida. Porque algo em mim mudou. E sei que estás à espera que te procure para resolver, como sempre o fiz. Mas não o vou fazer. Porque não me faz sentido que o faça. Agora já não me faz sentido. E é este estado que quando chego me assusta. Porque deixo de procurar, deixo de falar. Deixo simplesmente a pessoa de lado. Não porque não gosto dela, não porque não me lembro da amizade que temos...ponho de lado inconscientemente, porque não a sinto, não te sinto. Não sinto inquietação por não esclarecer as coisas...não sinto vontade de nada em relação a ti. Não é uma forma de vingança, quiça falta de maturidade, ou estupidez daquela à séria. Mas hoje, digo-te, vive e deixa viver. Que sejas muito feliz, por ti.

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