UM PROJETO PARA MULHERES XL por Leilane Ferreira
Aqui.
Muito fixe!
A História da Cláudia, aqui
E, hoje, resolvi partilhar um pouco da minha história e da minha relação com o a comida, com o meu corpo e com o meu peso (porque faz sentido, no âmbito deste projecto).
Enfim, sejam felizes....... independentemente do vosso tamanho.
Ponham o vosso melhor bikini, vão para a praia, e divirtam-se!
Comam saladas, comam sopas, comam light, comam os "super alimentos" da moda (tipo os sumos detox)......epa, mas bolas, comam também aquele gelado que apetece tanto depois de um dia de praia! :)
Muito fixe!
A História da Cláudia, aqui
A minha história....... e onde hoje vim parar.
Olá, eu sou a Cláudia, tenho 25 anos, sou uma das fundadoras do projecto Mulher XL.
E, hoje, resolvi partilhar um pouco da minha história e da minha relação com o a comida, com o meu corpo e com o meu peso (porque faz sentido, no âmbito deste projecto).
Desde que me lembro que sempre tive "problemas" de peso; ou assim mo
fizeram crer, serem problemas. Começando pelo início, desde que passei
de ser menina a mulher que a anca sempre foi larga, a barriga sempre
teve uns cms a mais do que "devia" ter, e a desproporcionalidade, com a
anca sempre maior que a parte de cima. Aquela curva, ali, fazia-me uma
confusão imensa. Lembro-me de tão nova como com 12, 13 anos, me olhar no
espelho de corpo inteiro que a minha avó tinha (tem) em casa, a
encolher a barriga, a tentar ser como as das revistas, para logo a
seguir ir comer algo com chocolate, uma prática bastante incentivada no
seio da família materna, acompanhada pela minha aptidão natural para
tirar um enorme prazer do simples acto de comer.
Nunca me senti preparada para abdicar desse prazer, mesmo que não gostasse 100% do que via ao espelho, achava que era um preço justo a "pagar" - como ainda hoje acho.
Com o passar do tempo e a chegada da adolescência, o corpo foi mudando, e
aprendi a aceitar-me. Umas vezes mais magra, outras mais gordinha, mas
lembro-me de fazer dietas durante uma, duas semanas, e depois desistir,
pois dieta não é coisa que me encha as medidas, de todo!
Mas à medida que o tempo passava sempre ia gostando mais do que via ao
espelho; depois, claro, o peito começou a crescer, as curvas ficaram
mais definidas, e houve, mesmo, uma altura em que com os meus 72 Kg para
o meu 1m70 (ou 1m69, dependendo de onde e quando me medi, pois muitas
vezes deu 1m70 e outras 1m69, mas não creio que 1 cm faça assim tanta
diferença) eu olhava para o espelho todos os dias e dizia "bolas, sou
mesmo gira!!!". Sim, digo-o sem vergonhas, achava-me (acho-me) sexy!
Fui a uma agência de modelos. Tinha 16 anos! Ainda muito ingénua, como
sempre o fui e ainda hoje sou, caí na lenga-lenga de ter de investir 300
euros num "book" - que nunca deu para nada - e acreditei quando ela me
disse que eu tinha de perder no mínimo 20 Kg. Claro! Eu com 1m70 e 52 kg - está tudo louco?! Nem mesmo eu queria isso para mim!!!
Cheguei a casa toda revoltada e nos dias seguintes pesquisei, pesquisei,
pesquisei. Foi então que percebi que existe uma indústria de moda para
pessoas não gordas ao ponto de prejudicar a saúde (novamente reitero que
este projecto NUNCA teve o intuito de promover a obesidade), mas para
pessoas que não fossem esqueléticas e que não precisassem de comer
alface ao almoço e ao jantar para ter um lugar ao sol. Sempre fui muito
idealista - ainda hoje sou, e ainda bem! Acreditava que havia um lugar
para todos. E há! Olhem para as imagens do blogue, olhem para o
cabeçalho...vêem alguém obeso? É que eu não. Por isso, nunca percebi a
confusão.
Fez sucesso, em tempos, este blogue, este projecto. Passei de uma miúda
que só queria tirar umas fotos porque se achava gira, a alguém que foi
convidada a ir à TV nacional, à rádio, a dar entrevistas a revistas. Mas
nunca tive a síndrome de ser vedeta ou celebridade, e ainda hoje se me
falam disso fico de pé atrás! Mas assim foi, esse ano, de enorme
realização profissional e pessoal! And guess what? Eu com 1m70 e
72/73 Kg (para ser sincera nem controlava o peso, nessa altura, isto é
só uma estimativa), com as análises todas limpinhas e sabendo que era, e
que sou, super saudável - mesmo não tendo os cuidados que tenho hoje! -
feliz da vida! Ainda que me dissessem - ironia das ironias, e para ver
que nunca ninguém está contente com nada, caraças!!! - "mas o que é que estás a fazer neste projecto?! Tu és magra!".
(Aproveito para reiterar, novamente, que este projecto apoia sobretudo a
diversidade de belezas! Quando atacam alguém por ser demasiado magro,
sou a primeira a dizer, que isso é tão mau como atacar alguém gordo.
ALIÁS, PORQUÊ ATACAR, in the first place? Qual é a necessidade? A sério?
Porque há pessoas naturalmente magras - e que não comem alface ao almoço
e ao jantar, como eu hiperbolizei, claro - e há pessoas que por muitos
esforços que fazem nunca conseguem ser magras. E há tantos tipos de
belezas diferentes, nenhuma tem de ser melhor que a outra. Mas, enfim,
isto são temas para outras conversas).
Fui para fora de Portugal, em Erasmus, e o meu estilo de vida mudou por completo. Perdi à volta de 15 Kg
(mais uma vez, é uma estimativa, não controlava o peso, mas tornou-se
óbvio quando as calças me começaram a cair), perguntam-me, fiz alguma
dieta?! Perguntavam-me, qual é o segredo?! Não! Não há segredo! em
sequer pensava nisso! O que aconteceu de facto foi que tinha o dinheiro
contado, recebia um X de bolsa, um X dos meus pais, um X do aluguer do
meu quarto em Lisboa, e recusava-me - porque sempre fui orgulhosa! - a
pedir mais quando acabasse. Quando ao fim do primeiro mês vi que era
menos o dinheiro e mais as coisas que queria fazer, comecei a repensar o
orçamento, a fazer cortes, e o supermercado foi um dos alvos desses
cortes. Não com o intuito de emagrecer! Mas com o intuito de ter mais
dinheiro para outras coisas. Quantas e quantas vezes ia sair com amigos e
eles iam comer, e eu não ia comer nada?! Preferia guardar esse dinheiro
para outras coisas. E que coisas, e que vida, e que experiências! Não
me importei nada, com as viagens que fiz, esquecia-me logo da "fome"
voluntária que passava :D
Ajudou muito o facto de ter feito um piercing na língua e durante uma
semana só poder comer líquidos, mas como até comer era doloroso, evitava
fazê-lo. Passei uma semana enclausurada no quarto sem comer e
fraquíssima, só nessa semana perdi 5 Kg. Nada saudável, eu sei. Mas há coisas que na vida têm de acontecer!
O que aqui conto, são (ou foram) escolhas que fiz, independentemente de
estarem certas ou erradas, e de eu hoje olhar para trás e pensar que
podia ter feito assim ou assado, a realidade é que não me arrependo de
nada!
Conto isto, para dizer que, hoje, as pessoas - amigos e familiares - me
dizem "nessa altura é que estavas bem!". E eu digo......sim, bem, mas
havia muitos dias que comia uma sandes e um iogurte, o dia inteiro! Ou
que não comia nada durante o dia e depois só jantava! Naquela altura da
minha vida, fez sentido, fez todo o sentido! Mas hoje, já não faz. Hoje,
recuso-me a sair com amigos e não comer. Porque hoje acho que isso é
parvo e, ainda que naquela altura justificasse, hoje já não justifica. E
por isso é que, hoje, eu não posso nem quero ter o corpo que tinha
naquela altura; porque não tenho a mesma vida que tinha naquela altura. Dizerem-me
que "naquela altura é que estava bem" é irónico para mim, porque vêm
sempre com a lenga-lenga do ser saudável, mas na altura o que eu comia
era tudo menos saudável, era ridiculamente pouco, não era mais saudável
na altura do que sou agora com 15 Kg a mais. Pessoalmente, viam-se os
ossos das minhas ancas, e eu não gosto muito de ossos visíveis...... (NÃO estou a criticar quem é magra, estou a expressar uma preferência pessoal).
E voltei ao meu peso normal - porque voltei a comer normalmente -, aos
70/71 Kg. Como disse, não tenho a certeza, nunca tive o hábito de me
pesar. Aliás, para mim o peso nunca foi importante, o importante era o que eu sentia quando me olhava ao espelho. E sempre que olhava, adorava o que via, ia para a praia sem complexos, sem encolher a barriga,
sem nada dessas m*rdas que, desculpem a expressão, sempre achei isso
mesmo, m*rdas!!! E só para verem como o peso não passa de um número,
sempre que digo o meu peso real me dizem "o quê, mas não parece
nada!!!". Claro! As pessoas imaginam logo, mais de 65 Kg, tchii é
obesa!!! Ainda por cima com a obsessão - sim OBSESSÃO - que há hoje em
dia em ser-se magra, fit e fitness (e nem percebem que 80% disso é
para venderem produtos "milagrosos" que fazem emagrecer), e isto e
aquilo. Tretas!!! Na minha opinião, claro.
Até que, um dia - recentemente, há um mês - dei por mim que tinha engordado muito. Sim! Um dia subi à balança e pesava 77,8 Kg (mas isto só depois de deixar de gostar tanto do que via ao espelho). E disse "não!".
Entretanto tinha deixado de fumar cigarros, e isso contribuiu, e muito,
para o processo. Não sei se por algo ter mudado a nível fisiológico, ou
se por ter inconscientemente compensado essa falta inicial, com comida.
Mas sei que cheguei àquele ponto em que precisava fazer algo! E pensei assim que seria mais feliz ou que gostaria mais de mim, achando que o gostar de mim tinha a ver com o físico.
Erro crasso. Tem a ver, mas não assim tanto!
Erro crasso. Tem a ver, mas não assim tanto!
Fui a uma nutricionista, que nada me disse sobre o (meu) peso, e me
disse que o peso é relativo. Sim, ok, se uma pessoa medir 1m50 e pesar
90 Kg provavelmente não é saudável; mas o foco não deve ser nos números e
sim, nas escolhas do dia-a-dia. Não vale de nada ser magra mas beber
coca-cola (mesmo que light) a todas as refeições. Como eu sempre disse,
nunca tinha ligado ao peso, mas sim, a como me sentia, por dentro, a
nível de saúde, e a nível de auto-estima.
Enfim. Passou-me um plano alimentar que implicava comer de 3 em 3 horas e com os principais chavões de todos os nutricionistas, contar gramas! Eu
disse, epa mas eu no meu dia-a-dia tenho lá vida (e paciência!!!) para
contar gramas, nem calorias! E comer de 3 em 3 horas implica que coma
quando não tenha fome, o que para mim é contra-natura!!! Quer dizer, há
alturas em que tenho fome e "não posso" comer, e outras em que não tenho
fome e tenho de comer??!! Sempre achei essa história um bocado confusa.
Acho que devemos responder ao corpo quando ele pede comida, e não estar
a forçar porque já passaram 3 horas! Para além disso, passo a maior
parte do dia fora, tenho horários incertos, dias incertos, como é que eu
vou averiguar se vou estar a comer 30 gramas de carne às 19h? Demasiado
restrito para mim! Não me ia adaptar a longo-prazo. Por isso, agarrei
algumas coisas que ela me disse e que fizeram sentido, mas essa das
gramas, esquece. Não estou a pôr em causa o profissionalismo dela, até
porque foi impecável comigo, deu-me uma consulta sobre motivação de 40
minutos, mas pecou no facto de ter ido buscar o "modelo chapa 5" do
plano alimentar que tem no computador e passa a toda a gente o mesmo
plano; como é possível, se cada pessoa é diferente?! Ainda por cima,
pior! Deu-me uma lista de Alimentos Proibidos, e uma tabela com os dias e
horas para escrever quando tinha comido um alimento proibido e
porquê!!! Quer dizer, isto é mesmo para fazer a pessoa sentir-se
culpada, por algo que não tem de se sentir!
Aproveito para dizer que cheguei à conclusão, com esta história toda, que os planos alimentares passados por profissionais de saúde pecam em vários aspectos, nomeadamente o de passarem o mesmo para todas as pessoas (sendo que todas são diferentes), e dizerem coisas completamente contraditórias entre si. Dou como exemplo o facto da minha nutricionista ter dito que não havia problema em comer hidratos de carbono à noite, e outra (de uma colega) dizer que era completamente proibido. Em que ficamos??? Resposta: ficamos naquilo que achamos melhor para nós! Como disse, todos somos pessoas diferentes, com estilos de vida diferentes, com metabolismos diferentes e, por isso, temos de encontrar aquilo que melhor se adapta a nós e nos faz sentido!
Foi isso que eu fiz. Deixei o plano de lado e fiz pequenas mudanças que sabia que podia adaptar à minha vida sem fazer sacrifícios (ou, bom, este era o plano inicial). Cortei no açúcar e substituí por adoçante. Todas as vezes que me apetecia chocolate ou coisas doces, comia fruta - diz que sempre é um açúcar mais saudável. Substitui o esparguete (coisa que não abdico, porque é um dos meus alimentos preferidos) por esparguete integral. Comecei a ir espreitar a "área vida" ou "área saudável" no supermercado mas ficava frustrada, porque as coisas custam o dobro, ou o triplo, por menos de metade da quantidade "normal". Então comecei simplesmente a comer menos das coisas normais, a preços suportáveis.
Aproveito para dizer que cheguei à conclusão, com esta história toda, que os planos alimentares passados por profissionais de saúde pecam em vários aspectos, nomeadamente o de passarem o mesmo para todas as pessoas (sendo que todas são diferentes), e dizerem coisas completamente contraditórias entre si. Dou como exemplo o facto da minha nutricionista ter dito que não havia problema em comer hidratos de carbono à noite, e outra (de uma colega) dizer que era completamente proibido. Em que ficamos??? Resposta: ficamos naquilo que achamos melhor para nós! Como disse, todos somos pessoas diferentes, com estilos de vida diferentes, com metabolismos diferentes e, por isso, temos de encontrar aquilo que melhor se adapta a nós e nos faz sentido!
Foi isso que eu fiz. Deixei o plano de lado e fiz pequenas mudanças que sabia que podia adaptar à minha vida sem fazer sacrifícios (ou, bom, este era o plano inicial). Cortei no açúcar e substituí por adoçante. Todas as vezes que me apetecia chocolate ou coisas doces, comia fruta - diz que sempre é um açúcar mais saudável. Substitui o esparguete (coisa que não abdico, porque é um dos meus alimentos preferidos) por esparguete integral. Comecei a ir espreitar a "área vida" ou "área saudável" no supermercado mas ficava frustrada, porque as coisas custam o dobro, ou o triplo, por menos de metade da quantidade "normal". Então comecei simplesmente a comer menos das coisas normais, a preços suportáveis.
O problema foi que me tornei obsessiva - e isto é bastante recente, tem vindo a acontecer de há 3 semanas para cá. Sempre me recusei a embarcar nisto e ainda assim, até há uns poucos dias atrás dava por mim a contar calorias. A pensar "ai meu deus, vou comer este bolinho que tem 150 Kcal", "ai meu deus, isto tem 10 gramas de açúcar".
Comecei a pesar-me regularmente e no Sábado passado subi à (mesma)
balança e vi que tinha perdido 3 Kg numa semana, desde a última vez que
me tinha pesado. Fiquei contente mas, ao mesmo tempo, sentia que algo
dentro de mim não estava bem. Porque sei que estas coisas
temporariamente nunca funcionam, e sei que não quero contar gramas nem
calorias para sempre. Aliás, sempre que vejo escrito "o segredo é
comer menos, mas não é nada difícil!" dá-me um arrepio pela espinha
abaixo. Não é nada difícil?! Aqueles ataques de fome que dão e a pessoa a
ter de pensar que só pode ingerir 50 gramas de não sei o quê, quase tem
que andar comuma balança atrás?! Not for me, thanks! Respeito quem queira e goste de o fazer, mas lá está...como somos todos pessoas diferentes...
Por ouro lado, dentro da minha cabeça a questão que se coloca é muito
simples. Eu sempre fui feliz e sempre gostei do que via no espelho,
gorda ou magra. O que mudou agora?! O que mudou agora foi a minha cabeça e nada mais que isso!
Sim, engordei 5 Kg para além do meu peso normal e isso fez toda a
diferença; agora perdi 3 deles e faltam 2 para voltar ao "normal". Mas
de que vale isso, se não estava contente?!
E percebi que o estar contente, feliz, satisfeita, nada tem a ver com os 5 kilos a mais ou a menos. Percebi que a mudança tem de ser feita mentalmente, antes de passar para a dimensão física.
E percebi que o estar contente, feliz, satisfeita, nada tem a ver com os 5 kilos a mais ou a menos. Percebi que a mudança tem de ser feita mentalmente, antes de passar para a dimensão física.
O grande, grande dilema da minha vida é mesmo este. Eu quero ser
saudável, mas constantemente sou bombardeada com a ideia de que para ser
saudável tenho que ser magra (mito), e para ser magra, tenho de comer
menos. Mas eu não quero abdicar de um dos meus grandes prazeres, o de
comer e de, sim, às vezes comer coisas bem calóricas e que fazem mal. What's the point, em ser magra, mas ser infeliz e andar a medir a circunferência das batatas?!
(isto a propósito de um plano alimentar que li, que chegou ao detalhe
ridículo de "2 batatas da circunferência de um ovo"....sim, eu li isto e
fiquei de boca aberta).
Enfim: eu nunca me chateei (muito) com o peso e agora, mesmo depois de
ter perdido 3 kg numa semana, não estou satisfeita. Não é que não esteja
satisfeita com o meu corpo - até porque agora estou a (voltar a) ficar.
Mas não estava satisfeita com aquilo em
que me estava a tornar, não estava satisfeita com o facto de ver
quantas calorias tinha um iogurte natural antes de o comer, ou de me
sentir culpada se me apetecia loucamente um prato de esparguete.
Não estava satisfeita com o facto de estar a sucumbir às pressões exteriores que sempre, sempre, orgulhosamente, me recusei a sucumbir. NÃO QUERO, e escrevo em letras capitais porque não quero mesmo, não me identifico, não faz parte de mim, ser daquelas pessoas que quando vai jantar fora com o namorado ou com os amigos, em vez de aproveitar o momento e a divertir-se, está preocupada em não ingerir muitas calorias, ou se ingerir, em logo a seguir ter um comportamento compensatório. Não quero, não quero, bolas, não quero!!! E tive muito medo de me estar a tornar nisso, durante algumas (dolorosas, longas semanas). Eu chegava à noite e chorava! Chorava porque estava a ser uma pessoa que não era eu. Para mim, não sei até que ponto quererei ter menos peso mas ser assim.
Não estava satisfeita com o facto de estar a sucumbir às pressões exteriores que sempre, sempre, orgulhosamente, me recusei a sucumbir. NÃO QUERO, e escrevo em letras capitais porque não quero mesmo, não me identifico, não faz parte de mim, ser daquelas pessoas que quando vai jantar fora com o namorado ou com os amigos, em vez de aproveitar o momento e a divertir-se, está preocupada em não ingerir muitas calorias, ou se ingerir, em logo a seguir ter um comportamento compensatório. Não quero, não quero, bolas, não quero!!! E tive muito medo de me estar a tornar nisso, durante algumas (dolorosas, longas semanas). Eu chegava à noite e chorava! Chorava porque estava a ser uma pessoa que não era eu. Para mim, não sei até que ponto quererei ter menos peso mas ser assim.
Não, não vou cair no erro de "culpar os meios de comunicação social" por excesso
de informação sobre o que uma pessoa elegante deve ser, deve comer,
deve exercitar-se, ou deve parecer-se com. A escolha, em última análise,
é sempre nossa. Ainda que seja efectivamente muito difícil - e
aqui, digo mesmo, sem papas na língua, que uma pessoa que seja magra ou
que não tenha que fazer nenhum esforço para manter isso, nunca irá
perceber isto, nunca mesmo - uma pessoa viver numa sociedade em que
constantemente é bombardeada com mensagens de "para seres feliz tens de
ser magra", "para seres saudável tens de ser magra", manter-se na sua
sem se deixar afectar por isso.
Eu, pessoalmente - e fortemente - discordo da ideia de que tem de se
ser magra para se ser saudável - e bonita então, nem vou entrar por aí,
pois é um absurdo completo! Acredito que é possível ser-se saudável com
um tamanho que não seja padrão. O saudável não é necessariamente ser magra! É fazer exercício físico regular (coisa que, admito, mea culpa,
sempre tive muita resistência, sou preguiçosa, enfim, mas agora estou a
mudar o panorama), é comer bem, mas nunca é chegar ao ponto de contar
calorias para poder caber num tamanho 38. Isso sim é que não é saudável,
nem física, nem mentalmente! O ser saudável também varia de pessoa para
pessoa! O meu IMC diz-me que "sou saudável" se pesar até 71 Kg. mas com
71 Kg continuo a ser gordinha. O limite mais baixo, por sua vez, é de
57 Kg. Ou seja, num intervalo de 14 Kg, que faz a diferença entre ser
magra ou gordinha, a pessoa é saudável.
Outra coisa que não é nada saudável é o "hype" de ter o "corpo de
praia". O que é um corpo de praia? É tão ridículo como solidariedade do
natal. Só porque é natal vamos ajudar os outros. Só porque é verão temos
todas de emagrecer para poder colocar "aquele bikini". Ridículo!
Normalmente acompanhadas de publicidades com uns comprimidos milagrosos
para emagrecer, estas campanhas só servem para vender mesmo. A pessoa
até pode tomar aqueles comprimidos e emagrecer. Mas vai tomar os
comprimidos para sempre? Não, pois não? Por isso é que o hype
todo que há hoje em dia com a saúde e a magreza irrita-me. O foco não é
na saúde, é em ser magra, e ser magra a todo o custo e o mais rápido
possível. Porque acreditam que, assim, serão mais felizes.
E como "prova" de que ser saudável não é sinónimo de ser magra, nem
vice-versa, quantos casos não conheci eu de pessoas magras com diabetes e
colesterol alto? E pessoas gordinhas mas super saudáveis? Eu própria,
durante 2 anos, antes de ir em Erasmus, pratiquei dança regularmente (o
recomendado, 2, 3 vezes por semana); e nem por isso perdi muito peso, lá
está, andava nos 70, 71, máximo 72, sempre foi a minha janela de
intervalo. Mas fazia exercício, era saudável. Seria menos saudável
quando pesava 65 Kg mas não fazia exercício nenhum e fazia uma refeição
por dia. Ou seja, isto é tudo muito relativo... se os meus amigos me
agarravam na barriga e gozavam comigo (numa brincadeira que eu também
sempre alinhei, pois acho fundamental rir-mo-nos de nós próprios,não
estou aqui a queixar-me de nada, atenção) quando eu praticava exercício
físico e pesava menos 5 Kg, e agora fazem o mesmo com 5 kg a mais e
menos exercício físico (que essa parte, sim, estou a mudar aos poucos), a
pessoa fica a pensar que é indiferente.
Mas os outros nunca podem ser "o problema". É connosco mesmos que lidamos todos os dias, que carregamos todos os dias, que vemos ao espelho todos os dias...e é em nós mesmos que deve residir o foco.
Mas os outros nunca podem ser "o problema". É connosco mesmos que lidamos todos os dias, que carregamos todos os dias, que vemos ao espelho todos os dias...e é em nós mesmos que deve residir o foco.
E é isto, hoje, estou aqui, a partilhar isto porque senti necessidade de o fazer! Porque fiz, finalmente, o switch mental.
E a grande mudança na minha vida é esta: eu quero comer bem para ser
saudável e não vou comer batatas fritas nem beber coca-cola todos os
dias porque faz mal; o engordar é um side-effect, mas faz mal a tudo o
resto. Mas vou reservar-me um dia ou dois por semana para comer um
croissant com chocolate bem grande e uma lasanha.
Vou cuidar de mim porque gosto de mim, mas não vou fazer dietas loucas para me tornar magra porque esse é o ideal de beleza de hoje em dia! E se tiver que ter uma barriguinha, não serei menos feliz por isso, com toda a certeza!
Vou cuidar de mim porque gosto de mim, mas não vou fazer dietas loucas para me tornar magra porque esse é o ideal de beleza de hoje em dia! E se tiver que ter uma barriguinha, não serei menos feliz por isso, com toda a certeza!
Hoje ao tomar o pequeno-almoço tentei fazer uma estimativa das calorias, mas parei e pensei "it's enough!!!". Isto
não sou eu e se continuar a fazê-lo vou ficar (ainda mais) obsessiva,
não vou adaptar-me a longo-prazo, e vou acabar por desistir, e vai ser
pior.
Vou ser saudável, sim. Vou fazer mais exercício, andar menos de elevador
e mais de escadas (esta parte já está implementada), vou comer menos do
que faz mal - mas não vou deixar de comer essas coisas de todo, ou
contar calorias e gramas. Comer é dos maiores prazeres que tenho na vida! De que me vale ser magra ou ficar como as das revistas mas viver uma vida de auto-controle absoluto? Não
sou freira!!! Para além de não ser freira, sou uma pessoa que aprecia
muito os prazeres da vida, que gosta de se entregar a eles, sou uma
pessoa que busca sensações fortes, isso define-me e não quero deixar de
ser assim.
Agora, invisto o tempo que passava a
contar calorias, a olhar-me no espelho e aceitar e gostar do que sou,
como sempre gostei, como sempre aceitei.
E que sensação LIBERTADORA!
E que sensação LIBERTADORA!
E hoje foi o dia em que eu acordei e me recusei a ser infeliz para o
resto da vida por causa de algo tão fútil como a figura corporal ou
obcecada em ser mais magra. Eu sou mais do que isso!
Ponham o vosso melhor bikini, vão para a praia, e divirtam-se!
Comam saladas, comam sopas, comam light, comam os "super alimentos" da moda (tipo os sumos detox)......epa, mas bolas, comam também aquele gelado que apetece tanto depois de um dia de praia! :)

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