O perigo mora ao lado




Vive numa tensão diária, num descrer do amor, inexistência de felicidade que viveu outrora. Sente saudades do toque, do prazer, de fazer amor e de tantas outras coisas. Passam os dias por ela, passam os dias sem dar conta que vive. De um momento para o outro dá-se conta que passou um eternidade, e que ela continua confinada à tristeza, à dor, à solidão quando de facto nunca está sozinha. Está sempre acompanhada e só, imensamente só. Acaba no esquecimento dela própria e de tudo o que viveu. Que já foi mulher, que já desejou e foi desejada. Um dia como todos os outros, vai a casa do vizinho, como tantas vezes o fez, pedir um ovo. Banalidades, nada de novo. Mas naquele dia de chuva, não foi um ovo que trouxe, foi um abraço, um  beijo avassalador como há muito não recebia. Sentiu-se renascer para o mundo, alertando todos os sentidos e tremeu de medo, pelo o que sentia e por aquilo em que acreditava. As borboletas instalaram-se no estômago e desde então nada foi igual. Tudo ganhou cor, tudo ficou melhor, sente-se feliz. Sente-se novamente desejada e amada. Mesmo nunca estando à espera, era a felicidade esperada. Fora dos padrões do dito normal, fora do que alguma vez lhe foi permitido. E agora ele está ali, ao lado. O pecado.


Comentários

Vício de Ti disse…
:))

E há pecados tão bons .. :)

Beijinho
Solana disse…
Hoje ouvi a musica e lembrei-me de ti.... "o meu vicio de ti"...

Beijinhos

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